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O ser humano, em sua totalidade, é espírito, alma e corpo. Nasce incompleto, porém com toda potencialidade para vir a ser. Seu destino é aperfeiçoar-se. Para o cristão, o aperfeiçoamento é atingir a santidade. O livro da Sabedoria define: “Os que tiverem observado santamente as santas leis serão reconhecidos como santos e os que nela tiverem sido instruídos encontrarão defesa” (Sab. 6, 10). Em outro trecho, diz: “Conhecer-te é justiça perfeita e acatar teu poder é a raiz da imortalidade”. (Sab. 15, 3).

Jesus contou uma parábola sobre um senhor que, ao viajar para oestrangeiro, confiou aos seus servos determinado número de talentos, moeda da época. A um confiou cinco, a outro, dois e a um terceiro, um talento. Ao voltar, cobrou resultados. Os que receberam cinco e dois talentos tinham investido e devolveram o dobro, enquanto que aquele que havia recebido somente um talento havia se amedrontado e o escondera para não perdê-lo. Esse foi qualificado como servo mau, enquanto os demais foram elogiados pelo senhor (Mat. 25, 14-30). Cabe aqui a reflexão sobre os talentos que foram confiados a cada um de nós pelo Criador. A tarefa é a mesma: dobrar os talentos. Não podemos ver aqui maior ou menor justiça quanto ao recebimento dos talentos, pois a tarefa é a mesma para todos: desenvolver-se. Independentemente da valoração dos dons, que pode variar com o contexto histórico, a cada ser humano cabe a tarefa de continuar a criação.
Diferentemente da parábola, na qual cada um sabia quantos talentos recebeu, nós não sabemos exatamente quanto de “talento” recebemos. Necessitamos conhecer os nossos dons ou talentos. Apesar de todos tendermos ao bem perfeito, cada um irá realizar sua caminhada de maneira específica. Cada ser humano necessita buscar o próprio caminho e a realização da sua potencialidade particular.
A definição do sentido último da nossa existência irá condicionar todos os nossos passos, uma vez que é ele que nos orientará. Vivendo orientados para o cume, nossa vida estará cheia de significados e, conseqüentemente, de satisfação.
Baumeister & Vohs, no seu ensaio The Pursuit of Meaningfulness in Life (coletânea de autores organizada por Snyder e Lopez, 2005), abordam a questão do significado na vida humana. Enquanto animais, nós permanecemos ligados aos ciclos naturais da vida. A vida humana é amarrada pelas regras da lei natural e, como tal, as necessidades animais básicas continuam a mostrar uma poderosa influência sobre a atividade humana. Além da dimensão animal o ser humano tem a cultural.
Com a utilização da nossa capacidade de pensar, transcendemos nosso ambiente imediato e as urgências naturais. O pensamento envolve significado com o uso de linguagem, símbolos e conexões entre conceitos. A lei natural depende dos princípios físicos, químicos e biológicos. A cultura, por seu turno, repousa na linguagem e no significado. Logo, qualquer descrição do ser humano que não leve em conta a percepção do sentido é totalmente falha, porque o significado deve ser compartilhado por muitas pessoas. A linguagem é somente utilizável na sociedade, se o significado das palavras permanecer em grande parte constante através do tempo. Se a metade das pessoas, em sua cidade, começar a dizer “não” quando tenciona dizer “sim”, considerando que os outros continuam usar “sim” com seu significado original, o resultado seria o caos. Da mesma forma, seu endereço, o número da sua identidade, filiação a uma família e outras características que definem você são estáveis. O jeito que as pessoas compreendem conceitos altamente abstratos tais como justiça ou patriotismo pode evoluir lentamente em períodos de mudanças sociais, mas mesmo assim alguma continuidade é normalmente necessária e a maioria dos significados na linguagem permanece estável.
A vida, em contraste, é caracterizada por contínua mudança. O ser humano nasce, cresce, declina, alimenta-se, elimina dejetos e se reproduz. Outras partes naturais da vida também envolvem mudanças. A nossa existência física está constantemente em fluxo. Um significado de vida é, portanto, uma imposição de concepção estável sobre um processo biológico de mudanças. Embora a vida seja marcada por constante dinâmica, os seres viventes lutam por estabilidade. Mudanças não são bem-vindas em muitos aspectos da vida. Assim, significado pode ser considerado como uma ferramenta da humanidade para impor estabilidade à vida. O organismo humano é predisposto para mudar, mas deseja estabilidade e nós utilizamos o significado para ajudar a criar esta estabilidade.
Como exemplo de estabilidade podemos citar um dos significados de Deus na Bíblia: Ele é a rocha; a rocha que nos suporta. Diante da instabilidade da vida humana, Ele é nosso porto seguro. No segundo livro de Samuel, David proclama: “O Senhor é minha rocha, minha fortaleza, meu libertador.” (2 Sam. 2,2). Os atributos de Deus são estáveis. SNYDER, C.R. e LOPEZ, Shane J. Handbook of Positive Psychology. Oxford: Oxford University Press, 2005.
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