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Por Dalton Rothen
Parece que algo não está certo. Vivemos uma ordem legal que não me parece "muito legal". Nosso país é a 10ª economia mundial mas é considerado um país pobre pois a imensa maioria da população vive como pobre. Temos um sistema de representação que precisa ser urgentemente repensado. Para garantir a proporcionalidade entre os Estados da Federação, a minoria decide para onde vai este país. No Senado atual, os protagonistas com maior influência são Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney. Os três foram eleitos por pequenos Estados, com participação muito pequena na geração da riqueza nacional.
Senão vejamos: Renan Calheiros: estado de Alagoas - participação no Produto Interno Bruto (PIB): 0,68% (*) - população do estado: 1,6% (**) Romero Jucá: estado de Roraima - participação no PIB: 0,11% - população do estado: 0,2% José Sarney: estado do Amapá (e ele nem mora lá...) - participação no PIB: 0,22% - população do estado: 0,3% Os três estados juntos representam 1,01% de participação no PIB e 2,1% da população brasileira. Todos os três senadores são alvo de denúncias e processos que não andam, em função da ordem legal. No Brasil, o "meliante", se tem posses, goza direitos que permitem postergar indefinidamente os processos. Os cidadãos de bem, que geram a maior parte da riqueza nacional, pagam impostos para atender a ordem legal. Somos um dos países do planeta com impostos mais elevados. Lutamos por nossas vidas e cumprimos rigorosamente a ordem legal. O dinheiro dos impostos vai preferencialmente para a Federação, que não devolve para a população em forma de serviços e infraestrutura decentes. Os que dominam a Republica destinam os recursos de forma que atendam preferencialmente a seus interesses pessoais. Algumas das falcatruas vêm a público, denunciadas pela imprensa, e a ordem legal permite que os senhores representantes neutralizem a sociedade, acordando entre eles uma proteção. Atendendo à ordem legal, expressiva quantidade de senadores é formada por suplentes que foram levados ao senado por políticos que, apesar de eleitos, não assumiram seus cargos. Por trás deste procedimento existe uma série de negociações que não são de conhecimento público. Esses senadores suplentes, que não receberam nenhum voto para representar o povo, têm protagonizado um espetáculo de total desprezo pela opinião pública, a quem não precisam "agradar". Este é o sistema de representação vigente em nosso país, que não representa os interesses nacionais. Mas é tudo legal. Em caso de dúvida, recorre-se ao tribunal. E quando a liminar do tribunal vem, todo mundo fala em injustiça e impunidade. Mas a decisão foi baseada na ordem legal. O ministro concedeu ao "suspeito" o direito de ficar calado e, assim, impune. Toda a sociedade honesta se sentiu punida e viu como é a ordem legal. A nova pesquisa depois do exemplo legal mostrou que os brasileiros ficaram mais tolerantes com a corrupção. Afinal, é a ordem legal. O vilão da novela não precisa mais ser punido no último capítulo. O povo já aceita que assim seja, baseado na ordem legal. Foi perguntado se fariam o mesmo, caso fossem eleitos, e 75% dos brasileiros disseram que sim. Afinal, é a ordem legal. "Não vi." "Não sabia." "Fui traído." E boa parte do povo concordou. Reelegeu os "que não viram", "não sabiam", "não fizeram" e "só gastaram com a campanha". Poder reelegê-los faz parte da ordem legal. Descontaram em nossa conta bancária o imposto que foi instituído para a saúde. Que não melhorou. Era a ordem legal. Recolhem da sociedade montanhas de recursos e não devolvem em serviços. É o que permite a ordem legal. Os representantes do povo votam secretamente para que seus representados não saibam pelo que votaram. É a ordem legal. E, no fim, reabilitados propõem que seus salários sejam dobrados, em função do que permite um dispositivo legal. Afinal, se não é a mim e nem a você, a quem serve esta ordem legal? VAMOS LUTAR POR UMA NOVA ORDEM LEGAL? (*) Fonte: http://www.ipib.com.br/ (**) IBGE - 2008
Dalton Rothen Psicólogo e autor do livro "para uma vida melhor"
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