| Autoconhecimento e Lívre Arbítrio |
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Por Daton Rothen Todo ser humano tem como energia fundamental a preservação de sua existência e o seu desenvolvimento pessoal, ou seja, todos são inclinados para a autopreservação e motivados de maneira inata para um processo de crescimento e desenvolvimento. Perguntas fundamentais: quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Em que podemos acreditar e esperar? Certamente, responder a estas questões pode ser tarefa para uma vida toda e é provável que, ao final, o indivíduo ainda não tenha respostas que possam satisfazê-lo totalmente. A espécie humana é a única que tem consciência de si mesma e de sua existência. O conjunto de crenças que ela constrói irá influenciar decisivamente sua trajetória. Outro aspecto importante na formação de cada indivíduo é sua convicção a respeito de sua capacidade de agir e interagir nesse mundo com as pessoas e coisas. Se o homem pensa que tudo já está determinado e que pouca coisa pode ser alterada, passará a vida agradecendo ou maldizendo sua sorte. Se, no entanto, ele se percebe como agente da história procurará identificar e modificar seu destino. Os condicionamentos a que ele foi sujeito também lhes darão maior ou menor dinamismo. Ao transferir a responsabilidade de seus fracassos para os outros, as pessoas deixam de fazer a ação correta. Sem dúvida, existe uma gama de influências sobre as pessoas das quais elas não têm controle, assim como não têm controle sobre o tempo de duração de sua existência, por exemplo. Ou, de repente, podem ser assaltadas, por mais que se previnam, ou então desenvolver uma doença fatal inesperada.
Podemos entender os limites do livre-arbítrio, adotando uma imagem que contenha um grande círculo com vários outros de menor tamanho, contidos um dentro do outro. O maior seria a natureza; dentro dele, o seguinte seria o Estado; a seguir, viriam a sociedade, as instituições, as outras pessoas em geral, a família, nossa psique e lá dentro, no último, vem o espaço do livre-arbítrio. E é nesse espaço que iremos agir. A nossa programação biológica nos utilizará para passarmos à frente nossos genes, procriando; a sociedade, para propagar seus valores; as instituições e demais pessoas tentarão tirar o máximo de nossa energia para levar adiante seus próprios planos. Apesar de todas as limitações, o indivíduo precisa, para se desenvolver, aumentar seu autoconhecimento, saber quais são seus dons e talentos, entender a sua maneira de pensar e agir, qual é o seu temperamento e conscientizar-se de suas facilidades e dificuldades nos seus relacionamentos. E, finalmente, o inconsciente refere-se àquelas coisas que não estão disponíveis ao nosso consciente, entretanto, apesar de não estarem presentes, influenciam nosso modo de pensar, sentir e agir. Diz Jesus no Evangelho segundo Marcos que "de dentro, do coração do homem saem os maus pensamentos" (Mc 7, 21). E completa: "Todas essas maldades saem de dentro e contaminam o homem" (Mc 7, 23). E Jesus ainda diz que, "do interior do coração, o homem pode tirar coisas boas ou más" (Lc 6,45). Eu preciso aprender a me entender como um todo. Não posso ser só aquilo que há de bom e rejeitar os aspectos menos aceitos, ditos negativos ou não valorizados. Eu sou bom e sou mau. Essa consciência é algo importante no autoconhecimento. Não posso querer ser somente a parte boa, negando a má. Conhecer como somos é um desafio. Durante nossa vida, somos estimulados a negar e a reprimir aquilo que não é tido como bom. E nessa negação vamos colocando uma sombra em parte de nós. Esse processo de negação não muda nossas características, simplesmente faz com que ignoremos parte de nós. Conhecer-me primeiramente como sou é o pré-requisito para qualquer transformação. O ser humano, em sua totalidade, é espírito, alma e corpo. Nasce incompleto, porém com toda potencialidade para vir a ser. Seu destino é aperfeiçoar-se através de suas escolhas. Dalton Rothen |


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