| Santíssima Trindade |
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Conhecer a Santíssima Trindade
Criado à imagem de Deus, chamado a conhecer e a amar a Deus, o homem que procura a Deus descobre certas “vias” para aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de “provas da existência de Deus”, não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de “argumentos convergentes e convincentes” que permitem chegar a verdadeiras certezas. Estas “vias” para chegar a Deus têm como ponto de partida a criação: o mundo material e pessoa humana. O mundo: a partir do movimento e do devir, da contingência, da ordem e da beleza do mundo, pode-se conhecer a Deus como origem e fim do universo. O homem: com a sua abertura à verdade e à beleza, com o seu senso do bem moral, com a sua liberdade e a voz de sua consciência, com a sua aspiração ao infinito e à felicidade, o homem se interroga sobre a existência de Deus. Nestas aberturas percebe sinais de sua alma espiritual. Como semente de eternidade que leva dentro de si, irredutível à só matéria, sua alma não pode ter sua origem senão em Deus. As faculdades do homem o tornam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas para que o homem possa entrar na sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana. Mediante a razão natural, o homem pode conhecer a Deus com certeza a partir de suas obras. Mas exige uma outra ordem de conhecimento, que o homem de modo algum pode atingir pelas suas próprias forças, a da Revelação divina. Por uma decisão totalmente livre, Deus se revela e se doa ao homem. Fá-lo revelando seu mistério, seu projeto benevolente, que concebeu desde toda a eternidade em Cristo em prol de todos os homens. Revela plenamente seu projeto enviando seu Filho bem-amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo. Deus é o Autor da Sagrada Escritura. As coisas divinamente reveladas, que se encerram por escrito e se manifestam na Sagrada Escritura, foram consignadas sob inspiração do Espírito Santo. Na Sagrada Escritura, Deus fala ao homem à maneira dos homens. Para bem interpretar a Escritura é preciso, portanto, estar atento àquilo que os autores quiseram realmente afirmar e àquilo que Deus quis manifestar-nos pelas palavras deles. A fé é primeiramente uma adesão pessoal do homem a Deus; é ao mesmo tempo, e inseparavelmente, o assentimento livre a toda a verdade que Deus revelou. Enquanto adesão pessoal a Deus e assentimento à verdade que ele revelou, a fé cristã é diferente da fé em uma pessoa humana. É justo e bom entregar-se totalmente a Deus e crer absolutamente o que ele diz. Seria vão e falso colocar tal fé em uma criatura. Para o cristão, crer em Deus e, inseparavelmente, crer naquele que ele enviou, seu Filho bem-amado no qual ele pôs toda a sua complacência (Mc1,11); Deus nos mandou que o escutássemos. O próprio Senhor disse aos seus discípulos: “Crede em Deus, crede também em mim” (Jo14,1). Podemos crer em Jesus Cristo porque ele mesmo é Deus, o Verbo feito carne: “Ninguém jamais viu a Deus: o Filho unigênito, que está voltado para o seio do Pai, este o deu a conhecer” (Jo1,18). Por ter ele “visto o Pai” (Jo6,46): ele é o único que o conhece e pode revelá-lo. Não se pode crer em Jesus Cristo sem participar do seu Espírito. É o Espírito Santo que revela aos homens quem é Jesus. Pois “ninguém pode dizer ‘Jesus é Senhor’ a não ser pelo Espírito Santo” (1Cor 12,3). “O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as profundidades de Deus... O que está em Deus, ninguém o conhece a não ser o Espírito de Deus” (1Cor 2,10-11). Só Deus conhece a Deus por inteiro. Nós cremos no Espírito Santo porque Ele é Deus. A Igreja não cessa de confessar a sua fé em um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Creio em um só Deus: a fé cristã confessa que há um só verdadeiro Deus eterno, imenso e imutável, incompreensível, todo-poderoso e inefável, Pai, Filho e Espírito Santo: Três Pessoas, mas uma Essência, uma Substância ou natureza absolutamente simples. Fonte: Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Editora Vozes, Edições Paulinas, Edições Loyola, Editora Ave-Maria, 1993. |


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