Dalton Rothen

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O Sacramento do Matrimônio

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A aliança matrimonial, pela qual o homem e a mulher constituem entre si uma comunhão da vida toda, é ordenada por usa índole natural ao bem dos cônjuges e à geração e educação da prole, e foi elevada, entre os batizados, à dignidade de sacramento, por Cristo Senhor.

A sagrada Escritura abre-se com a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus e se fecha com as “núpcias do Cordeiro” (Ap19,7-9). De um extremo a outro, a Escritura fala do casamento e de seu “mistério”, de sua instituição e do sentido que lhe foi dado por Deus, da sua origem e do seu fim, das suas diversas realizações ao longo da história da salvação, de suas dificuldades provenientes do pecado e de sua renovação “no Senhor” (1Cor 7,39), na nova aliança de Cristo e da Igreja.

A íntima comunhão de vida e de amor conjugal que o Criador fundou e dotou com suas leis é instaurada pelo pacto conjugal, ou seja, o consentimento pessoal irrevogável. A vocação para o Matrimônio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, conforme saíram da mão do Criador. O casamento não é uma instituição simplesmente humana, apesar das inúmeras variações que sofreu no curso dos séculos, nas diferentes culturas, estruturas sociais e atitudes espirituais. Essas diversidades não devem fazer esquecer os traços comuns e permanentes. Ainda que a dignidade desta instituição não transpareça em toda parte com a mesma clareza, existe contudo, em todas as culturas, um certo sentido da grandeza da união matrimonial. A salvação da pessoa e da sociedade humana está estreitamente ligada ao bem-estar da comunidade conjugal e familiar.

Deus, que criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata de todo ser humano. Pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus que é o Amor. Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem. Esse amor é bom, muito bom aos olhos do Criador. E este amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo e realizar-se na obra comum de preservação da criação; “Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28).

Que o homem e a mulher tenham sido criados um para o outro, a sagrada Escritura o afirma: “Não é bom que o homem esteja só”. A mulher, “carne de sua carne”, isto é, seu próprio rosto, igual a ele, bem próxima dele, lhe foi dada por Deus como um ”auxílio”, representando assim “Deus, em quem está o nosso socorro”. “Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne” (Gn 2,18-25). Que isto significa uma unidade indefectível de suas duas vidas, o próprio Senhor no-lo mostra lembrando qual foi, “na origem”, o desígnio do Criador: “De modo que já não são dois, mas uma só carne” (Mt 19,6).

Todo homem sofre a experiência do mal, à sua volta e em si mesmo. Esta experiência também se faz sentir nas relações entre o homem e a mulher. Sua união sempre foi ameaçada pela discórdia, pelo espírito de dominação, pela infidelidade, inveja e por conflitos que podem chegar até ao ódio e à ruptura. Essa desordem pode manifestar-se de maneira mais ou menos grave, e pode ser mais ou menos superada, segundo as culturas, as épocas, os indivíduos. Tais dificuldades, no entanto, parecem ter um caráter universal.

Segundo a fé, essa desordem que dolorosamente constatamos não vem da natureza do homem e da mulher, nem da natureza de suas relações, mas do pecado.

Para curar as feridas do pecado, o homem e a mulher precisam da ajuda da graça que Deus, em sua misericórdia infinita, jamais lhe recusou. Sem esta ajuda, o homem e a mulher não conseguiriam atingir a perfeição da união de suas vidas para a qual foram criados no princípio.

Em sua pregação, Jesus ensinou sem equívoco o sentido original da união do homem e da mulher, conforme quis o Criador dede o começo; a permissão de repudiar a própria mulher, concedida por Moisés, era uma concessão devida à dureza do coração; a união matrimonial do homem e da mulher é indissolúvel: Deus mesmo a consumou: “O que Deus uniu, o homem não deve separar” (MT19,6).

Na Igreja Latina, considera-se habitualmente que são os esposos que. Como ministros da graça de Cristo, se conferem mutuamente o sacramento do Matrimônio expressando diante da Igreja seu consentimento.

O consentimento consiste num ato humano pelo qual os cônjuges se doam e se recebem mutuamente; “Eu te recebo por minha mulher” – “Eu te recebo por meu marido”. Este consentimento que liga os esposos entre si faz com que os dois “se tornem uma só carne” (Gn 2,24; Mc 10.8; Ef 5,31).
 O consentimento deve ser um ato da vontade de cada um dos contraentes, livres de violência ou de medo grave externo. Nenhum poder humano pode suprir esse consentimento. Se faltar esta liberdade, o casamento será inválido.

Os efeitos do sacramento:

  • O vínculo matrimonial: o consentimento pelo qual os esposos se entregam e se acolhem mutuamente é selado pelo próprio Deus.
  • A graça do sacramento do Matrimônio: em seu estado de vida e função os esposos cristãos têm um dom especial dentro do povo de Deus. Esta graça própria do sacramento do Matrimônio se destina a aperfeiçoar o amor dos cônjuges, a fortificar sua unidade indissolúvel. Por esta graça eles se ajudam mutuamente a santificar-se na vida conjugal, como também na aceitação e educação dos filhos.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Editora Vozes, Edições Paulinas, Edições Loyola, Editora Ave-Maria, 1993.

 

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