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A palavra Igreja significa “convocação”. Designa assembléia do povo, geralmente de caráter religioso. È o termo freqüentemente usado no antigo Testamento grego para a assembléia do povo eleito diante de Deus, sobretudo para a assembléia do Sinai, onde Israel recebeu a Lei e foi constituído por Deus como seu povo santo. Ao denominar-se Igreja, a primeira comunidade dos que criam em Cristo se reconhece herdeira dessa assembléia.
A Igreja é o Povo que Deus reúne no mundo inteiro. Existe nas comunidades locais e se realiza como assembléia litúrgica, sobretudo eucarística. Vive da Palavra e do Corpo de Cristo e ela mesma se torna assim Corpo de Cristo.
Todos os que crêem em Cristo, o Pai quis chamá-los a formarem a santa Igreja, Esta família de Deus se constitui e se realiza gradualmente ao longo das etapas da história humana, segundo as disposições do Pai. O Senhor Jesus iniciou sua Igreja pregando a Boa Nova, isto é o advento do Reino de Deus prometido nas Escrituras havia séculos. Para cumprir a vontade do Pai, Cristo inaugurou o Reino dos Céus na terra. A Igreja “é o Reino de Cristo já misteriosamente presente”. Acolher a palavra de Jesus é acolher o próprio Reino. A Igreja nasceu primeiramente do dom total de Cristo para a nossa salvação, antecipado na instituição da Eucaristia e realizado na Cruz. Terminada a obra que o Pai havia confiado ao Filho pra realizar na terra, foi enviado o Espírito Santo no dia de Pentecostes para santificar a Igreja permanentemente. Foi então que a Igreja se manifestou publicamente diante da multidão e começou a difusão do Evangelho com a pregação. Por ser “convocação” de todos os homens para a salvação, a Igreja é, pela sua própria natureza, missionária enviada por Cristo a todas as nações para fazer deles discípulos. Para realizar a sua missão, o Espírito Santo dota e dirige a Igreja mediante os diversos dons hierárquicos e carismáticos. Por isso a Igreja, enriquecida com os dons de seu Fundador e observando fielmente seus preceitos de caridade, humildade e abnegação, recebeu a missão de anunciar o Reino de Cristo e Deus e estabelecê-lo em todos os povos. A Igreja só terá sua consumação na glória celeste, quando do retorno glorioso de Cristo. Até aquele dia, a Igreja avança em sua peregrinação através das perseguições do mundo e das consolações de Deus. A Igreja é ao mesmo tempo: “sociedade provida de órgãos hierárquicos e Corpo Místico de Cristo; assembléia visível e comunidade espiritual; Igreja terrestre e Igreja enriquecida de bens celestes”. Estas dimensões constituem uma só realidade complexa, em que se funde o elemento divino e humano. A Igreja é, em Cristo, como que o sacramento ou o sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo gênero humano. A Igreja congrega homens de toda nação, raça, povo e língua. Como sacramento, a Igreja é instrumento de Cristo. Ela é o projeto visível do amor de Deus pela humanidade, que quer que o gênero humano inteiro constitua o único povo de Deus, se congregue no único Corpo de Cristo, seja construído no único templo do Espírito Santo. Os crentes que respondem à Palavra de Deus e se tornam membros do Corpo de Cristo se tornam intimamente unidos a Cristo. A unidade do corpo não acaba com a diversidade dos membros: na edificação do corpo de Cristo, há diversidade de membros e de funções. Um só é o Espírito que distribui os dons variados para o bem da Igreja segundo suas riquezas e as necessidades dos ministérios. Deste corpo, Cristo é a Cabeça. O Espírito Santo é o princípio de toda ação vital e verdadeiramente salutar em cada uma das diversas partes do Corpo. Ele opera de múltiplas maneiras a edificação do Corpo inteiro na caridade: pela Palavra de Deus, que tem o poder de edificar, pelo Batismo, através do qual forma o Corpo de Cristo; pelos sacramentos, que proporcionam crescimento e cura aos membros de Cristo; pela graça concedida aos apóstolos, que ocupa o primeiro lugar entre os seus dons; pelas virtudes, que fazem agir segundo o bem, e enfim pelas múltiplas graças especiais (chamadas de carismas), através das quais torna os fiéis aptos e prontos a tomarem sobre si os vários trabalhos e ofícios, que contribuem para a renovação e maior incremento da Igreja. A Igreja é uma, santa, católica e apostólica. Estes quatro atributos, inseparavelmente ligados entre si, indicam traços essenciais da Igreja e da sua missão. A Igreja é uma pela sua fonte: deste mistério, o modelo supremo e o princípio é a unidade de um só Deus na Trindade de Pessoas, Pai e Filho no Espírito Santo. A Igreja é uma pelo seu Fundador. A Igreja é una pela sua alma: o Espírito Santo que habita nos crentes, que plenifica e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e os une tão intimamente em Cristo, que ele é o princípio da unidade da Igreja. A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele; por Ele e nele torna-se também santificante. Todas as obras da Igreja tendem, como a seu fim, à santificação dos homens em Cristo e à glorificação de Deus. É na Igreja que está depositada a plenitude dos meios de salvação. É nela que adquirimos a santidade pela graça de Deus. Já na terra a Igreja está ornada de verdadeira santidade, embora imperfeita. Nos seus membros, a santidade perfeita é coisa a adquirir. A palavra católico significa universal. A Igreja é católica em duplo sentido: ela é católica porque nela Cristo está presente. Onde está Cristo Jesus, está a Igreja católica; ela é católica porque é enviada em missão por cristo à universalidade do gênero humano. Cada Igreja particular é católica. Entende-se por Igreja particular, que é a diocese, uma comunidade de fiéis cristãos em comunhão na fé e nos sacramentos com o seu Bispo ordenado na sucessão apostólica. As Igrejas particulares são plenamente católicas pela comunhão com uma delas: a Igreja de Roma, que preside à caridade. A Igreja é apostólica por ser fundada sobre os apóstolos, e isto em um tríplice sentido: ela foi e continua sendo construída sobre o fundamento dos apóstolos, testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo; ela conserva e transmite, com a ajuda do Espírito que nela habita, o ensinamento, o depósito preciosos, as salutares palavras ouvidas da boca dos apóstolos; ela continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos apóstolos, até a volta de Cristo, graças aos que a eles sucedem na missão pastoral: o colégio dos bispos, assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja. Fonte: Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Editora Vozes, Edições Paulinas, Edições Loyola, Editora Ave-Maria, 1993. |